Cacau Loureiro - Claudia Maria Loureiro da Silva, nascida aos 26 de março de 1966 na cidade de São João de Meriti, RJ, onde também foi criada e vive até hoje com seu marido e um casal de filhos.Tomou gosto pelas letras ao ler Gonçalves Dias em sua inesquecível Canção do Exílio, e logo vieram outros poetas como Amado Nervo, J.G. de Araújo Jorge, Manuel Bandeira e Rui Barbosa.
Aos dezesseis anos começou a despertar para escrever poemas e textos em prosa, quando ingressou no curso de Formação de Professores, formando-se em 1985. Período em que lia tudo o que via pela frente, pois seus questionamentos existenciais moviam-na à escrita de uma forma espontânea e compulsiva.
Participou do grupo MERITI FAZENDO ARTE (Movimento Literário do Município) fez parte do programa a POESIA ESTÁ NO AR, na rádio comunitária da cidade e também do ARMAZÉM CULTURAL DA BAIXADA que promove eventos no mês de abril abrangendo todo tipo de arte. Publica também em sites de amigos crônicas e poemas. Participa de oficinas de literatura e organizou e planejou apresentações de biografias de autores brasileiros em vários espaços culturais.
Meu Blog Pessoal: http://www.liricosolhares.blogspot.com/
Alagas o meu desejo com o teu basto desejo...
Nascentes que me fartam o peito de quereres.
Mesclo o teu paladar ao meu paladar... a todo
custo, a todo gosto em salivações ardentes,
quimicamente desenvoltas, indecentes...
Teu tronco ebuliente ligando-me tenazmente
a ti em corpo e mente.
Não quero partir, quero ir mais fundo, além
de mim, além de ti, permanecer para sempre,
pois que tudo és tu em mim.
Para ti todos os meus eflúvios carnais, viscerais;
puro prazer em ser, em ter, tocar-te.
Meus olhos derramados em tua face singular,
Já em mim, tua alquimia inesquecível, ímpar.
Imã que nos une, e imantados em manta de calor
percorremos com furor nossos dorsos, em densos
toques libidinosos.
O meu corpo inteiro tarjado e trajado de ti,
tudo em mim em mil vozes a clamar por teu
ser intenso, provecto, langoroso.
Eu meço cada palmo de tua pele cálida, cada
centímetro dos teus aveludados lábios.
Tudo em ti eu sei de cor... tua tez em minha tez,
Minhas íris fitas em teus abismais encantos de
abissais promessas, de perdidos rumos...
Meu corpo fixado no teu exalta-te em paixão,
devoção, em tesão, em querer maior...
Em comoção que me magnetiza e arrasta-me às
tuas profundas águas de amor!...
Cacau Loureiro
ÁLACRE
Ah! Como te subtrair do meu peito
agitado, se tu és o seu ritmo e canção
acelerados, movendo-me os músculos
e os pensamentos?!
Amanheço e anoiteço em teu horizonte
de primorosa beleza...
No teu jardim de sortidas cores eu caminho
por entre as tuas flores perfumadas, em meio
a fresca primavera a colorir meu rosto soturno.
Em meu contumaz desejo, quanto mais te
tenho, mais te quero, mais em ti perco-me;
Já que vencida em teus braços agiganto-me
eu sigo magnetizando-me em teu manto e
banho-me em tuas ondas energizantes de
puro afago.
O meu riso solto e espontâneo é o retrato da
felicidade que capto e apreendo ao teu lado,
pois que sou àquilo em que me transformo
quando estou contigo.
Meu amado... benquisto... Meu amigo, minha
aura expande-se clarificada quando o teu sopro
de vida adentra a minha alma e por teu amor é
purificada!...
Cacau Loureiro
ÁLEO
O teu coração menino...
Minh’alma criança...
Em própria arte do destino!...
Brinco de mulher em teus campos
sinuosos, brincas de homem em
minhas paisagens abertas.
Menina sou, perdida em teu sorriso;
saltito num vestido colorido e cheiro
as flores do teu jardim perfumado de jasmim.
O meu espírito empedernido achou em ti
o lúmen que tornou meu ser iluminado.
É prazer e unção deitar ao teu lado,
dividir o que eu mesma contigo edifico.
Em teus olhos sonhadores o meu olhar perdido,
tecendo acrósticos de todos os amores vividos,
adormecidos.
Os meus cabelos em tua tez molhada,
em desalinho, salpicados de gotículas do desejo
intensamente entre mim e ti esparramado.
Minha alma da terra desgarrada, o teu corpo
em paixão áqüea suspenso...
Ah!... quando a hora cessa em nosso mútuo contágio,
eu abrevio o tempo, acelero o meu relógio para
estar novamente ao teu lado!...
Cacau Loureiro
ALUANDA
Noite de muitas estrelas!...
A lua anda no céu, argentada,
dardejante trazendo ao meu
espírito nômade, quietude.
O imensurável sideral rasa de
inspiração a minha alma cálida,
volitiva, ousada.
Vento austral, Via Láctea,
longo é o caminho para seguir...
Seja assim.
Ouço música suave, desce sobre
mim romanesco véu, há cheiro
de flor, de vinho e jasmim.
Em meu foco um só som,
uma só rima, uma só voz,
um só verso... uma só canção
em nosso jardim.
Meus negros buracos de afeto
onde avistas minha interior vastidão,
são abismos onde resguardo o meu
renitente coração.
Viajo em tua singular constelação...
há frio, calor, comoção... Em meu
universo tu és lúmen, cintilação.
Eu sonho então... cevar a minha
boca em tua água farta.
Éden, sol, paraíso, aurora boreal...
no meu céu também a lua anda...
Em teus lábios de mel, querentes de
ternura, eu desejo alcançar aluanda.
Cacau Loureiro
ALUCINOSE
Não se abranda dentro de mim a
espera, embora me anime, também,
me fatiga. Dar-te acesso sem receios,
pousar em teus lábios toda a minha
singularidade, em tuas mãos toda a
volúpia de minha atual fase.
Deixar-me a ti com gosto de madura
maçã, alienar-me nesse querer capcioso,
tão impetuoso, tão cheio de vontade.
Ah, esta febre terçã que acomete a minha
alma, o meu corpo!
Assim vou vivendo neste afã para que
não perca teus traços, não fujas de minha
memória, pois que já o tenho em meu
coração bandoleiro e abandonado.
Bálsamo que cicatriza minhas feridas,
o fluido que me entremeia os poros.
Em meu espírito sensível, a minha chaga mais
doída, talho mais que ardido.
As cartas sobre a mesa não me predestinam
à sorte deste jogo.
Como escolher caminho de sortilégio
sem arriscar sentir qualquer dor?
Afinal, o que mais importa!... Pois a
porta que tu abriste para mim tornou-me
alegre e generosa.
Já me acostumei às refregas, às várias
idas e vindas... nestas horas em que
divago em ti tão fora de órbita, sei que o
meu planeta flutua em torno dos teus olhos,
do teu tórax, da tua boca.
Cacau Loureiro
ÁLULAS
Alo as palavras...
É o meu jeito de liberar convulsões
interiores, os meus velhos temores.
Não obstante, a chama que a tua letra
acende em mim, ilumina-me a solidão
da alma, arranca-me lavas do coração,
é pira mais que sagrada.
Penso... algumas coisas nesta estrada
deviam permanecer imaculadas... o amor,
a amizade. Contudo, a luta pela vida é
desigual, é dura, é árdua. Logo, eu sigo
por essas vias marginais, pois que sou
poetisa anilhada.
É o milagre em ação quando duas almas
se descobrem, é a divindade a dizer:
Vem comigo, eu existo e te sustento!
Minhas frases vêm a esmo, desarrumadas,
mas, são presentes que te entrego neste
prorromper de desassossego.
Eu não nego, tenho-te apreço e nada
te peço além de permaneceres comigo...
Como amigo!?...
Não me importa o quanto tudo já está
explícito, já não me importo se me explico,
pois se não te digo... eu silencio...
E em não permanecendo no “senão”,
eu me complico, então, eu falo, até escrevo,
assim, eu me desvio dos atropelos derramando
verbos, conjugando todos os meus medos.
Estou farta dos não me toques cheio de dedos!...
Em meu caminho já tive freios, as bridas
de um contumaz desejo... apegos.
Deixarei de mas...
Hoje é patente, eu criei álulas, e, quanto
mais eu alto vôo, mais alto sonho!... mais espaço
acho para abrir as minhas atrofiadas asas.
Cacau Loureiro
ANAMNESE
Flagro-me ainda em reminiscências,
obstinada e atroz expulso em vão
velhas lembranças que me instigam
o seio contrito.
Obsessão, castigo, já não mais sei.
Pois quando penso que te esqueci já
estou contigo... emoções à tona
num mar de tanto afeto. Querer-te
bem foi tão bom e tão incorreto!...
O pretérito abre-me as portas, dá-me
acesso a um labirinto colorido, paixão
vivida intensamente entre flores e espinhos.
Em desatinada primavera tantas quimeras
remonto hoje em teu espectro de sombra
e de silêncio.
Remendo o passado, moto-contínuo de
uma alma maculada.
No intento de retomar-te já fui romântica,
impetuosa, quão verborrágica...
No momento, saudosa, fraciono o tempo,
retalho versos e mais nada!
Cacau Loureiro
ANÉLITO
Deito em meu leito para sonhar contigo,
anélito que não tem repouso...
dizem meus lábios: mata-me a sede!
Resfolego, no travesseiro, todos os meus
caprichos, mas imenso continua em te ter,
o meu anseio.
Estar junto a ti, pousar meu hálito em teu
ouvido, minha cabeça em teu peito, conhecer
outro descanso.
Acredite, não tenho medo, apenas quero
apertar-te contra os meus seios, tomar teu
cheiro, sentir teu gosto, extrair estímulos.
Em airosos manejos mostrar-te que posso
ser leve sem gracejos.
Com meandros, ou sem rodeios, envolver-te
em meus braços, cobrir-te de beijos, matar
toda esta saudade que me sufoca de desejo.
Tu sabes, eu faço versos, tu sabes que eu
rimo prantos, mas contigo sou só sorrisos.
Sou mulher madura, vivida, eis a minha
realidade! Quero sanar todas estas minhas
vontades, todas estas necessidades que me
fazes afluir.
Quero prover todos estes impulsos carnais,
todos estes ímpetos viscerais que agora
vociferam em meu âmago e não o silencia.
Quero-te frente a frente, palmo a palmo,
corpo a corpo, mesmo sabendo como me
conter, sem bridas, sem freios...
Não posso mais lutar, quero-te por demais, assaz!...
Com todas as letras, assim eu creio, acharei sossego,
teremos paz.
Cacau Loureiro
ANELO
Para que dar negativas quando
Já tenho todas as respostas?!
Tua alma franca e generosa
tornou o meu ser cativo...
Se eu te digo ou te silencio, sabes
do prazer que é estar contigo.
Eu sonho de olhos abertos sob
o efeito do teu feitiço.
Meu coração bate em uníssono
com o relógio e ele não pára!...
Quatro paredes que me reprimem,
o próprio tempo que não passa,
são meus açoites.
Como então te descerrar a minha
vida de incógnitas?
Eu oscilo entre o tudo e o nada
nas ponderações do absurdo.
Meus lábios mudos, secos nos
estertores dos meus desejos...
Todos os apelos em minha pele,
em minhas mãos, em minha boca,
em meu ventre e em meus poros!
Cacau Loureiro
ANÓDINO
Teu beijo foi como fruto saboroso a saciar-me a
alma sôfrega, néctar dos deuses em saliva traduzido,
mel de excelência que dulcificou minha boca amarga.
Teu beijo guiou-me ao teu universo pelas vias
paralelas da tua face, vivificou-me o espírito
semimorto em dois rios de desejo...
Descortinei um mundo novo em tuas gôndolas
de devaneio, canais do teu apego levando-me a
tua livre vontade pelos becos do teu corpo.
Como explicar raro gosto nesta diversidade de
sabores?
Sumo apetitoso que agora me consome as horas,
bálsamo supra que me enternece o íntimo, mas
que não cessa o meu cutâneo espasmo.
Teu beijo pressuroso roubou-me a paz, deixou-me
os olhos rasos de afeto, furtou-me a cena maior
no anfiteatro da demora.
Teus lábios calorosos, lépidos, fizeram-me sentir
a brisa de antigo outono morno, ouvir canções
de tardes quentes de inolvidáveis primaveras.
Tocaram-me o coração como velutino fruto, a
mais nobre flor, mas também como agulha afilada,
haste penetrante; Teus beijos... paliativo da saudade
que ainda não cicatrizou.
Cacau Loureiro
ARCO-ÍRIS
A música que vem de ti e que me toca
é a mais bela que já ouvi... deveras sei.
Meu imo ritmado em teu ritmo gera-me
o sonho mais bonito que na vida já sonhei.
Neste mundo habitado por príncipes, sapos
e reis, o espírito fidalgo é o mais rico.
Pois que em teu coração criança, criança
eu fico...
Dá-me tuas mãos suaves, dá-me os teus
beijos lestos, sigamos por esta estrada
florida em vermelho vivo.
Dá-me teus intensos olhos negros,
cintilantes gemas que me iluminam o
sentimento mais puro.
Eu quebro correntes, conceitos, preconceitos,
todos os muros para estar contigo.
Portanto, estarei ao lado teu nas sendas do
firmamento, nas frestas dos afetos, nas
fendas do infinito.
Com as cores do arco-íris pintarei de alegria
o meu e o teu caminho!...
Cacau Loureiro
ASCENDENTE
O meu sol põe-se diariamente em teu
horizonte perpétuo, bonito... Intrigante
senti-lo em minha alma ainda ardente.
Em teu hemisfério abastado, radioso
eu percorro tuas cores de arco-íris e
intuo o teu aroma agradável de jasmim.
Em tuas asas morenas faço interestelar
viagem... Em tua admirável morada a tua
D’alva é quem me guia, assim eu
percorro o teu planeta flamante feito
rebento em um mundo novo, encantado.
Em teu celeste corpo, belo, prazeroso
eu levito feito criança e brinco em
teu transcendente jardim de sonhos!...
Cacau Loureiro
ÁSSANA
Quero estar contigo, nisto mobilizo
toda a minha energia.
Como dizem por aí: na dor e na alegria...
Sonho coisas distantes, mas, para isto
dirijo todos os meus pensamentos,
exercito toda a minha sintonia.
Tua imagem vai comigo, porque
comigo estás todos os dias...
O que quero? Deixo ao seu dispor
amigo.
Sei que o que te digo muitas vezes
cortam, são farpas, lâminas que afio
contigo, e, nesse tênue fio, fino, no qual
equilibramos o que sentimos às vezes
saímos feridos. Mas, não tenho medo da
vida, de viver...
O que sinto, o que tenho por você
desajusta minha prana, contudo,
gosto de estar assim, insana, perdida
no teu ser. Então, que deixemos rolar
toda emoção, abramos, pois nossas
sashumnas e centralizemos dentro
de nós essa energia, todo esse fluxo,
esse fluido. Assim, eu sei, tocarei
seu ajnacakra.
Quero elevar meu espírito em êxtase,
quero acordar, vivificar, harmonizar os
centros vitais, quero ajustar todos os
processos pelo meu corpo somatizados.
Cacau Loureiro
ASTRO DUO
Adentro a invernia que ora me habita...
Intento achar um segundo sol dentro da
névoa fria que me acerca.
Acerca dos meus desejos, verão em mim!...
Eu trago-te em meu peito fendido da ilimitada
espera, da longevidade que me é presente e
que rejeito.
Colho rosas à beira do precipício, frontispício
para a glória.
Em altas esferas, em divina dimensão teus
cânticos me acalmam a verve, mas não me
aquietam o espírito livre em amor.
A tua voz é como música que me move neste
meu mundo de silêncios em que te grito em
meu arrebatado âmago.
Brindo-te a cada manhã que se inicia em minhas
auroras enevoadas...
Faço arder o astro rei que todos os dias renova-se
em mim por ti!...
Cacau Loureiro
ATEMPORAL
Apuro os meus sentidos para te ouvir
a voz que vem de dentro, para aprender
com teu espírito acurado e pacífico.
Como não ecoar em meus sentidos a
tua singeleza de gestos, como para
ti não ser toda ouvidos, como não
apreender com o teu caráter distinto?!
Eu estou para ti hoje, agora e sempre,
pois que é precioso aquilo que por ti
cultivo, o que o meu coração por ti sente.
Em minhas espalmadas mãos recebo-te,
busco-te e pressinto-te com amor maior
e tranqüilo.
Não há quando te penso o que renegar,
e eu não te nego... todas as minhas quimeras,
meus desejos e sonhos para ti estendidos.
Ao teu encontro eu vou todos os dias, todas
as horas, segundo a segundo buscando o teu
amplexo deífico.
O teu canto repercutindo em meu íntimo é
acalanto que me apascenta o âmago contrito,
acalmando o meu instinto bélico e combativo.
Cativa e contumaz em teus cânticos eu sigo...
Por todos os meus poros, por todos os meus
ductos emocionais estás contido.
Dia e noite, noite e dia eu deito e acordo
contigo num tempo imaterial e infinito em
que te pinto, em que te respiro, em que te
escuto e em que te faço presente em mim!
Cacau Loureiro
Bardo
Componho apologias poéticas, concebo elegias
românticas... assim prossigo nesta aventura
epopéica!
Abrir mares nas tuas paisagens, prender o meu
cabedal de paixões à tua braga de rimas,
cobiçando a mais rara jóia, plasmando-a em
cântico de liberdade e concórdia.
O meu êxtase transpõe fronteiras, pois que
não há marcos para uma alma que canta,
não há lindes para um coração que voa!
Como não imergir em tuas candentes águas,
como não seguir a tua florescente estrela?
A insólita mistura de versos, o vigoroso traço
do encanto que para além do universo se deu.
O meu salmo para o teu, a minha lira para a tua,
o meu sopro para o teu, velas içadas à tua ilha.
Linha marcada sobre a minha geográfica carta
brado nascido na minha poética veia...
Terra à vista nas vias dos mares da vida!...
Como não viver tal sortilégio?!
Como não adentrar tua pátria nativa?!
Eu entôo o teu canto com minha própria voz,
deixo ir meus escritos em tua ode infinita.
Para além do norte, para além do sul deste vasto país,
sou remador cativo das tuas galés e cruzo o teu sorvedouro
de destro bardo, sem o leve medo de ser feliz!...
Cacau Loureiro
BLUES
Quando o sol quando emerge na linha do
horizonte , fogueira a aquecer minha essência
sombreada de ausências , mas , tu sempre a luzir
em meu caminho preenchido de ti, por ti, faz-me
reacender todas as belas esperanças .
E neste preluzir de sortidas cores , sentimentos
tantos, eu sigo por tua estrada de clarões , de
estrelas diurnas luzentes; só assim eu professo a
excelência desse Amor ...
Profícuas são tuas mãos suaves , teus beijos doces ,
momentos inefáveis no infinito dos meus dons ,
pois que são alimento , singular maná para o meu
espírito ávido .
Absorvo em humana síntese orgânica os teus afetos
supremos ... porque a luz que promana dos teus olhos
é farol , é fanal, é guia fomentando meus sonhos .
Deixo-me ao azul , descanso em tuas paragens onde
amanheço e anoitece em corpo , em espírito ... ouço
ternas canções que me preenchem a alma em comoção ...
Abandono-me onde me acho em inspirações ... em ti...
Acalento-me em teus braços entre beijos , blues e poesia !...
Cacau Loureiro
CABAL
Desmedida veleidade ocupa minha mente,
meu coração.
Incansável é ter-te dentro de mim.
Tocar teu ser...
Ânsia que não cessa, só cresce, avoluma-se,
ocupa-me.
Há uma paz inquieta dentro do meu foco
que o faz pulsar minuto a minuto por ti.
Teu olhar que me invade como feroz onda
de obstinação, tua voz que me cala em
voraz devaneio.
O meu desassossego é não te ter aqui comigo!...
Sinto-te veementemente presente...
Tu povoas meus pensamentos, meus sonhos
mais secretos, mais remotos.
No dulcíssimo dos teus lábios quero perder-me
sem incertezas, encontrar tuas promessas,
devanear em teus anseios.
Meu âmago apaixonado e forte de ti está repleto,
íntegro, refeito, completo,
Cacau Loureiro
CANTATA
Acordo todos os meus sons nos
acordes do teu corpo...
A tua música é paliativo para este
meu coração dissonante.
Em teus olhos todas as canções que
a minha lira canta... O teu amor...
Minha esperança...
Quando te beijo e fecho os olhos,
a tua escala harmônica a reverberar em
minha escala acidentada, todas as tuas
cifras em meus poros, todas as notas
em teus lábios a compor-me em teu
silêncio. Leva-me, pois, com teus ritmos
quentes, com tua dança encantada.
Rouba-me a fala com teu canto de
misterioso tenor ternário; envolva-me
com a vibração do teu pranto e eu te darei
a canção de mil amores. Porque quero
adocicar teus dias com a minha melodia
predileta, dedilhada em rara harpa.
Sejas a toante dos meus dias, a toada
de minhas horas esparsas, o tom maior
em minha vida descompassada...
Serenata em noite bela sob a minha
janela d’alma!...
Cacau Loureiro
CÂNTICO
Em meu coração és um novo cântico,
um salmo de pacificação e harmonia.
A tua amena e branda figura motiva-me
às mais belas inspirações.
Nos meus domínios poéticos és mais do
que arte versificada, és espírito tenaz
vivendo em minha efusiva exultação.
Em minha língua, és rara e doce fruta de
árvore fértil. Em minha existência sabor
peculiar e inarrável de supra-sumo de afeto.
Aquieta-me, pois, o cerne do ser com teu
néctar anódino.
Com teus gestos supra-sensíveis aplaca-me
a fome de afeição.
Meus dias e noites resumem-se aprendizado...
Como dar vazão ao meu peito farto e agora
falto de ti em paradoxo de euforia gritante?!
O âmbito das palavras tornou-se diminuto
para tanto querer!...
Guia-me por tuas vias tranqüilas de ternura,
por tua mansuetude e brandura, leva-me ao
teu aconchego caloroso.
Meu coração por ti entoa um novo cântico...
Um salmo de amor e de esperança!...
Cacau Loureiro
CÁRCERE HUMANO
Ainda entre as confusas paisagens entrevejo
as velhas grades, detentoras da martirização...
degradam ainda as almas que intentam a
libertação.
Engano leso pensar que nos libertamos de vez...
a palavra amarga que nos lacera os sonhos, o
olhar cruel que nos estanca os passos, as
explosões de raiva que implodem nossas
edificações interiores.
Nos estertores do progresso ainda os torturadores
da humana evolução só nos fazem retroagir...
não há tempo, não há espaço para nós, somente
o sufoco louco de aprender a viver livre. E eu
compreendo em todas a nuances as nossas dores,
pois que degustamos dia a dia todos os venenos
ao procurarmos a insana absolvição.
Os grilhões da ignorância ainda nos sangram os
espíritos aflitos, machucam-nos os sentimentos
d’almas. Contudo, nós que ontem fomos escravas
não acataremos mais quaisquer que sejam as
autoridades perpetradas.
Livres são as nossas vontades, exigentes as
nossas necessidades...
Liberdade!... é o preço final de toda opressão.
Cacau Loureiro
CINTILAÇÃO
Eu quero decifrar o teu esfíngico sorriso...
Pois que a cismar fico quando me fitas em
afeto enigmático.
Na distância breve do teu olhar para o meu,
eu adentro teus abissais olhos negros, mas,
a minha alma colorida fica assim, embebida
e embevecida de ti.
Contudo, o meu coração sem mistérios, em alto
e claro alfabeto não te propõe insolúveis enigmas.
As minhas letras sem represas e apressadas
invadem tuas tenras gôndolas labiais em beijos
fartos de amor...
Eu impermista despudorada em desejos, tão
mistos de prazer e dor...
O meu franco fervor em tua pele noviça, em teu
cutâneo calor... Febril eu sou, viciada contumaz.
Quanto mais... pertinaz, tenaz, vivaz...
Teu inebriante hálito, toda esta aura luminosa em
nossos orbitais espíritos, teu olhar penetrante em sutil
apego a enlaçar-me ossos e músculos, alma e corpo.
O teu perfil sensato, empreendedor faz-me seguir
teus sinais místicos... e assim viajo nas mais altas
camadas do globo e pressinto a chama que emana
de dois corações faustos.
Eu fecho os olhos e entrevejo sortidas cores, também
luzes violetas, da cor das flores que sempre hei de te
ofertar por nossa cromática estrada...
Eu sinto a vida em ti de todas as formas, em halos de luz,
Assim vivo em ti, por ti...
E esta claridade que me persegue e me aclara a gema aflita,
eu sei, estará lá a nos esperar, no fim do túnel!...
Cacau Loureiro
CÍTARA
Tanjo as notas do esquecimento, como
não volver aos teus braços?
A canção adormecida em mim, talvez
não vibre mais em ti, porém, entôo-te
mesmo assim.
Quero florir de novo o meu caminho,
dedilhar novas canções em meu silêncio,
decerto, sem o teu carinho, todavia, a
saudade há de partir.
Eu olho para trás, não mais ressoarei
em ré, em meu coração eu arpejo sem dó
a falta que sinto por ti!...
Lá onde a lembrança ressoa triste, a
pesarosa ária não mais impedirá que eu
module a minha vida, que em meu próprio
ritmo eu prossiga.
Melancólicos sons ecoam no infinito remoto
de minha inspiração, pois que te aperto no
cravelhal que é o meu peito, comprimo-te
em meus desprezados trastos, afino a dor,
contudo, tu te expandes na rosácea da minha
alma aberta, melodia sem entonação...
Toco ainda as cordas do longevo tempo...
lá... si... existiu um sol... entretanto, não mais
propagarei teu nome nas cordas do meu coração.
Cacau Loureiro
GÊNIO MENINO
Teu universo fechou-se em derredor...
Agora eu e tu numa justa laçada, apertado
laço, cego nó, nossas aselhas aliadas.
Negar, não posso essa magnética esfera
que nos aproxima, atrai-nos, enlaça-nos,
e, doravante dentro de mim mora um anjo...
tornando-me uma ninfa caída, mas, colorida
içando vôos maiores em meu singular
encantamento interior.
Mas, há também este agror que transpassa
o meu coração rebelde inquietando meu
espírito viajor.
Como ludibriar este querubim diligente e
assim te permitir tesouro tão superior?
Anjo traidor!... gnomo que transforma
astutamente homem e mulher, ódio e amor...
Como lidar com este instinto enganador?
Como discernir o que é demônio e deidade
dentro deste meu arbítrio sonhador?!
Duende mofino, menino saqueador...
ata-me às suas amarras, acerta-me as suas
flechas, faz-me arrastar asas ao encontro
deste moço, belo elfo tentador.
Gênio da guerra e da paz e que transitar
faz-me entre o contentamento e a dor...
Com ele diviso tantas miragens, angélicas
paisagens... ente guardião, mecenas do amor!
Cacau Loureiro
ILUMINÍSTICO
Atrevo-me a conhecer...
Saio às ruas, sigo estradas,
grasso em pedras, vou às
raias da indigência.
Nesta contenda que travo um
grito racional eu propago:
Independência!
No âmbito do meu pensamento
amotinado, e, pelo corpo e pelo
espírito desse homem iluminado,
inspiro-me ainda ao lema...
“Libertas quae sera tamen!”
Em meu coração inquisidor e
atraiçoado eu conspiro pelo
amor e pela espada!
A dúvida rasga-me os ossos
como um fio de adaga, o suor
como sangue, escorre-me pela
testa, salga-me um doce sonho
por ninguém jamais sonhado;
a luz da vitória cintila sobre
minha cabeça como coroa dourada
e circunda o meu pescoço como
corda corolada... mas, vou à corte,
segue-me a plebe... eu o martírio aufiro.
A bandeira que ostento é vermelha
como o sumo escarlate em solo pátrio
derramado, seiva que dos seus filhos
verte na busca por liberdade.
Brava gente brasileira eis a
fórmula que proponho, eis a
flâmula que sustento...
Pela balança aferida da justiça,
pelo ventre livre das mulheres,
pelo livre pensamento do alferes,
também eu daria minha vida
nesta luta a que vos conclamo!
Cacau Loureiro
INCORPÓREO
Aqui ou ali te pressinto porque
estás em mim, como um sopro
de vida, como um meio do acaso
de unir-nos.
Acredito que não sejamos
apenas um, mas, tantas coisas
diversificadas que se convergem
a nós, pois somos, pois, o espelho
da vida e o reflexo da alma.
Quero mirar-te assim, desse jeito
que tu miras a mim, como único
gesto o amor.
Sem a fome do mundo de hoje,
porém, sem ocultar desejos ou
pudores.
Querer-me, apenas, com a voracidade
que me entorpeça a alma, mas, não me
inebrie a cabeça.
Com a nobreza, apenas, de primeiro
amar, depois desejar.
Que eu traga-te assim, como levas a
mim no embalar dos teus braços, no
descortinar dos teus beijos, nas perdas
de nossos corpos por aí.
Mas, que aches em mim, o fruto da sorte
a clava mais forte ao lutar por ti.
Cacau Loureiro
JUNGIDA
Da janela eu vejo o cair da chuva...
Abundantes em minha alma são teus olhos
radiosos de afeto.
O nebuloso tempo não me traz melancolia,
apenas saudades...
Diviso o céu em vertigem emocional, teu
retrato na paisagem é ímpar, sem igual.
A voz da natureza sussurra em meu ouvidos,
diz-me de tanto amor em sua própria profusão;
Vento frio a refrescar minha vida insana,
chama do teu amor primeiro, ardente, brilhante,
raro e verdadeiro aquecendo-me os frios d’alma.
Aprisiona-me em tuas correntes de desvelo,
dado que já não sei viver sem teu coração afeiçoante.
Sigo pelas ruas sinuosas do imenso mundo que ora
me habita, encontro-te em cada esquina, em cada
ser que toco, falo, ouço... em cada rosto...
Respiro-te, pressinto-te!...
Eu já não sei viver sem ti, porquanto,
“eu não sei dizer que eu não te amo!”
Cacau Loureiro
NUME
Em tua aura enamorada eu te
entreguei meu sentimento, já que
a minha temática é a poesia que me
inspiras, que em mim expandes,
tua qüididade.
Em tuas mãos, em tua liça a minha
sina, o meu destino, a minha sorte.
Tua sensibilidade tão consciente e
aflorada, despe-me da arrogância,
da insolência.
Em tua singular hipergaláxia és
deidade de meiguice e de doçura.
Em meus caminhos rebeldes és
sinaleiro, a condução, seguro
ancoradouro em cruzado mar.
O tudo que nos cerca lapida-nos
para o futuro, para um painel
multicor, também de pedras.
Não mais senhorio o que me vai
na gema amante; eu vou às ruas,
eu deito flores, eu dou-te as rosas
que brotam do meu espírito franco,
esperançoso; eu pinto a vida de um
vermelho altivo, intenso porque meu
coração é fulgurante astro apaixonado!
Cacau Loureiro
PARTIDA
Percebo ao longe
esse teu rosto fino,
esses traços belos
que com as mãos toquei.
E nessa estrada, a
qual caminhamos,
só vejo a ti a
sumir-se na distância,
só vejo o nada a
envolver o teu ser.
E eu fitando-te
ao sumir de vista,
sou eu deixando-te
sem te deixar ir.
Algo nebuloso embaça-me
as vistas... minha alma
absorve essa poeira da
estrada que cavalgamos,
e surpresa percebo que
fomos nós e não o pó
que ficou a beira do caminho.
Cacau Loureiro
POENTE
Eu repouso em teu sorriso como o sol
deita no poente, manso, luminescente...
Caloroso para um dia de amanhã que
despontará feliz.
Assim bebo em tua boca a luz da mais
límpida esperança, como maná de sabor
supremo, fonte de vida a nutrir meus
desejos todos.
E eu revejo jardins floridos que pelos
caminhos um dia deixei...
Rosas amarelas, cravos brancos, em
tua aura bonita tudo é cor e som, é lira
melodiosa que acalanta o ocaso do meu
coração romanesco.
Crianças brincando alegremente me remetem
a ti, pois que o florículo que nasce do teu coração
benfazejo é da mais pura alegria, é rebento singelo
a correr pelas ruas de minha alma encantada.
E todas as flores seriam de pouca graça diante de
tuas dádivas aprazível pássaro...
Cravo púrpura... belo que meu o coração enamorou.
Cacau Loureiro
PUGNAZ
Imerjo no poente do tédio, o sol calcinador
é tênue luz em meu espírito ausente.
Saio de mim para chorar em qualquer
parte... quem sabe, onde tu possas me ouvir...
Bebo no cálice da tristeza o gole amargo
da tua ausência.
Distantes teu colo, teu ombro; teus braços
caminhos dos meus desenganos, teus olhos
abismo do meu amor.
Permita-me extravasar o cansaço, chorar
deixe-me!...
De mim podes sair...
Divago em meus labirintos interiores, onde
os meus silêncios fazem-se ouvidos de mim.
Minha dor maior é tentar ouvidar-te.
Minha lágrima sobeja e fecunda toda a poesia
que me resta, pois quanto mais distante estás
mais derramo inspiração... verto palavras,
alimento a minha alma.
Faz tempo que combatemos nas raias do
esquecimento... ora, surdos, mudos, muros,
ora, pontes, trincheiras, lágrimas... soldados
na arena do adeus!
Cacau Loureiro
REDIVIVO
Teus lábios caprichosos
tocaram singularmente minha
alma semi-ânime.
Porque não volver ao teu
venturoso abraço?!
Circundo o tempo sem demora,
ao teu encontro não mais vai o
meu coração lesto, posto que
ele já está contigo...
O meu beijo pressuroso,
o teu amante, amigo, bonançoso,
remexe com minhas quimeras,
com minha retórica de apaixonada
poetisa.
Não mais sei dimensionar o que por
ti cultivo, eu elementarmente, vivo-te!
Diviso o pretérito, meus ulteriores
quereres, e, nesta lacuna que se fez
em meu destino, teus olhos, teus gestos
em labirinto intrinsecamente em mim
traçado, fixado, instituído.
Estou em ti, estás em mim...
Simbioticamente em androginia de um
mundo redivivo.
Cacau Loureiro
SIDÉRICO
Eu pleiteio o teu sorriso no ocaso...
A tua imagem descortino na amplidão
estrelada.
Sem ti...
Linda...
Negra...
Noite.
A tua lua anda em meu céu por ti
habitado, consternado.
Crescente amor em minguante corpo de
alma cheia.
Nova fase tu és em meu universo silencioso.
Minha imaginação move nuvens,
redesenhando-te minuto a minuto,
instante a instante em meu inflamado páramo.
Minha mente em sideral viagem, meu espírito
em viagem astral vão te levando pela mão...
Carregam-te por entre jardins constelados,
salpicados de flores que têm o brilho das
celestes que nos guiam.
Meu coração em tua órbita é facho de luz
brilhando em teu sidéreo espaço em eterna
trajetória de um cometa!...
Cacau Loureiro
SIMBIOSE
Deixe-me nutrir teu coração
com a minha ternura.
Envolver-te em ondas de
emoção, afeto, carícia pura,
deflagrar em teus lábios
tantos desejos, e em teu
corpo tanta candura, que
assim eu creio, sentirias meu
corpo, e sem limites eu te
daria a minha alma.
A minha boca canta agora
esta saudade, e transborda
toda esta vontade: de
dulcificar a tua vida, de
acalmar a tua pressa.
A minha dor está em toda
esta afirmativa: abre-me
uma ferida o não me deixar
te querer.
Sejas deísta, agnóstico ou ateu,
o nervo em que te toco exalta-te
e exaspera-me...
Entreabertos os meus lábios
esperam-te, minha razão afasta-te,
mas, meus olhos entrevêem-te,
pois que as portas do meu ser
estão expostas.
A minha voz chega a ti em
simbolismos, e tu chegas a
mim tão facilmente, que de
repente só te vejo à minha frente...
Meu coração devoluto em rimas
consome-te, em prazeres deleita-te,
o que me torna normal. O que fazer?
Não sou perfeita!
A minha letra convida-te à sagração
dos corpos, à perdição das bocas,
à simbiose sensual.
Cacau Loureiro
SÓ EM TI
Em teu vasto campo de promessas virgens,
Eu pouso os meus desejos cálidos, porque só
em ti eles se completam.
No teu largo abraço de acolhimento benéfico,
Eu descanso a minha paz libertária, porque só
em ti ela se completa.
No teu infinito céu que me cinge a fronte de
Estrelas, eu descanso os meus sonhos todos,
Porque só em ti eles se completam.
Em teu mar colossal de amor, o que inunda os
meus desertos, eu repouso a minha alma sedenta
de afeto, porque só em ti ela se completa.
Em teu grande espírito de divina luz que ilumina
Tantas outras esferas, eu deposito os meus solidários
Cânticos, porque só em ti eles se completam.
Em tua invulgar têmpera de mansuetude, onde me
Acenas o futuro pleno, eu confio a minha razão,
porque só em ti ela se completa.
Em tuas raras mãos, onde me ofereces teu espírito
Amante e zeloso, eu entrego-te o meu coração
Contuso, porque só em ti ele encontra abrigo.
Cacau Loureiro
SOMMELIER
As frutas trazem acidez à minha
boca, na mesclagem das dores
vislumbro minha maturação.
Vejo-me aprendiz num mundo
onde professores são escassos,
aromas diversos na arte de viver.
Se todos partilhassem em espírito,
é cruel, mas o se não existe.
Para que adiar a magia do momento?
Como espuma branca ela pode se
diluir no ar.
Degusto a tristeza, a alegria, mas,
nada, nada impedirá que eu sorria.
Em vivaz embriaguez, tomo-te rosto,
mãos... lábios... tez...
Sinto o gosto do que jamais provei!
Mesolagem cutânea, sabor frutado
e furtado em acidez.
Meu corpo é bolha flutuante, o que
traz legitimidade ao meu coração.
Bebo-te em meu cálice na síndrome
da minha libação.
Cacau Loureiro
SONHO DE PAPEL
Eu queria estar contigo em qualquer
lugar, em todos os lugares... planetas...
Ser veleiro e vela em teus mares,
ser desbravador em tuas ilhas,
bandeirante em teus interiores...
Eu queria estar contigo entre céus
e terras, em teu horizonte perpétuo,
no vão de tua clara alma, no sideral
espaço.
Eu queria estar contigo bem alto e
longe, na celeste D’alva luzidia,
no alvorecer de tua aurora plena,
no aconchego do teu leito.
Eu queria estar contigo para além do
infinito,no astro, na estrela vespertina
que indica o teu e o meu caminho.
Eu queria estar contigo no rastro que
minha proa cria, nas tuas águas plácidas
ou bravias onde sonhadoramente desliza
o teu barquinho de papel.
Cacau Loureiro
SONHO EM PRIMAVERA
Bem sei eu que solo estou arando, em
que chão vou semeando. Para traz
quantas vezes nós olhamos, mas, há
caminhos que jamais terão retorno.
A paisagem que me toca leva-me à tua
distinta floração, pois o rumo que estou
tomando quem me dita é o coração...
Do outro lado da serra, o vale; do outro
lado do rio, a relva; do outro lado da ponte,
a nascente de toda a minha inspiração.
Fito minhas mãos trêmulas, porém limpas,
não há espinhos, não há visgo, contigo
minha alma germina felicidade porque
em tua colorida alvorada eu alimento-me
em tua efusiva claridade.
Tu és luz e eu semente, pois que me soergo
nas esferas dos teus olhos. Transcendo o
firmamento quando pairo no céu da tua boca,
refrigero minh’alma no frescor da tua língua.
Absoluta síntese, radiação de alegria é estar
em tua companhia.
A rosa-dos-ventos guia-me à tua aurora
vigorosa, há cheiro de flor, fresca brisa... és
sonho de verão em plena primavera de amor.
Cacau Loureiro
UM A SÓS
Entrego em tuas mãos
tudo o que tenho...
Como resgatar o que não
mais está em meu domínio?
Ineludível correr contra o tempo,
contra o maquinismo insensível do
dar-se por completo.
Fugir para onde, deter-me por quê,
pois se ao teu encontro
eu vou mesmo sem querer?...
O coração que palpita insistente,
o cismar que permanece e não repousa
o meu espírito aflito.
As lembranças de tudo, pois que tudo
são lembranças...
A contenda inelutável que travo em meu ser,
o querer incontrolável do sentir.
Sentir-se cativa e desgarrada,
vencedora e vencida.
O meu ser exposto à própria vida,
à tua sorte, vagueando em terras distantes,
em céus infindos.
Eu acorro em socorro de mim mesma...
Ligo o rádio...
Ouço nossas canções.
O meu coração para o teu...
Descerrado, batido, enamorado!...
Cacau Loureiro
VASTO
Quando a minha rota abriu-se para a tua,
e eu não sei onde, nem como, nem quando,
o que sei é que se abriu nova paisagem...
Na miragem que se fez em minha vida eu
bebi a água límpida de teu oásis de afeto,
brumas dissiparam-se em meus desertos
frios, em minha alma só.
E o meu interior ainda sequioso sobrevive
deste terno afã... tocar teu corpo, tocar
teu rosto, morrer de sede em teus lábios...
Itinerante, nômade de muitos rumos de
tantas estradas eu viajo em teu espírito
alado, esvoaçante.
Pulo dos mais altos montes, montanhas
desenhadas em azuis-turquesas, avisto
campos de verde-musgo com cheiro de
acácias, plano em tua cútis de beleza negra.
Mar aberto beijando meus lábios doridos
insurretos... dormentes... quero seguir tua
sinuosa trilha como sigo pelo cais das encantadas
viagens além-mar; lá no horizonte onde se perdem
as estrelas quero dormir-te de ponta a ponta,
luzente de prazer deixar-me por ti desvanecer...
Quero-te areia que se espraia pela praia dos meus
sonhos, suave brisa no entardecer dos meus atalhos,
luz morena a descansar meus olhos perdidos,
extasiados em teus labelos mornos.
Abro o peito, a alma, os sentidos para absorver
tua etéria e eterna luz... O teu sol refulgente
deslumbrou minha alma triste, agora só uma caminho
ilumina-se a minha frente, o teu coração vasto!...
Cacau Loureiro
VATE
Busco em tua imagem distante
a inspiração nestes dias de mim
tão ausente.
A tarde é morna e nebulosa;
a tarde é longa e exasperante...
Intrigante é aspirar teus ares,
voar em tuas asas de aedo.
Em meu imenso azul és solitário
pássaro a planar sob as nuvens
de minha alma itinerante.
Calada, permaneço, quando minha
verve é distintamente loquaz,
entusiasta, versada.
Não sei sobre tudo, mas, ora sei
que não me bastam as palavras.
Quero permitir-me em tuas mãos,
revigorar-me em teus lábios
ardentes, aquecer-te com minha
pele calorosa, tocar-te agudamente
o espírito persistente, onisciente.
Há urgência em meu corpo...
O meu instinto ariano grita combativo,
contundente.
Conto amargamente o tempo lento,
irritante.
Sim, eu quero... deitar-me calma em
teu leito e repartir singularmente o
que sobeja em meu sequioso peito.
Cacau Loureiro
VENTUROSO
Em conjecturas, em quimeras
depositei minhas mazelas...
a fadiga da estrada
não me fez desiludida.
Afinal, também posso escolher
em paz as minhas trilhas.
Nos dias inertes e sombrios
eu te clamei, pois que o
infinito é todo ouvidos.
Enquanto o céu conspira
a favor de nós, os seres piram,
mas, o frenesi de apaixonar-se
ainda valerá a pena.
Vias oblíquas, escusas
não me afastam da boa ventura,
das benesses do caminho.
Eu miro-te em atitude quase obscena,
mas não me disto,
o meu discreto impudor,
o teu que é quase regalo
só me induz aos teus apelos...
o meu colo, a minha voz,
a minha pele rogativos,
já não mais querem correr
contra o tempo,
contra o retardo,
o atraso,
o fracionado.
Eu quero tudo em ti,
o verdadeiro, o avesso,
o inteiro.
Já não mais quero limitar-te
à mesmice do tique-taque
do relógio, aos meus ponteiros,
não quero, em meu cronômetro,
perder as horas em que te acho,
em que me perco.
De braços abertos lancei-me
em tua dimensão...
cingi o espaço,
abracei-te...
ditoso abraço!...
Cacau Loureiro
VERNAL
Deito aos teus pés as sementes benéficas
da primavera que se principia em mim.
A nebulosidade, a brisa melancólica da
mudança de equinócio não me entristece,
porque o sol desta nova era a minha alma
matiza e aquece, transmudando-a em novo
e jubiloso jardim.
Cores diversas serpenteadas em me peito
libertam-me do frio da solidão, ensinam-me
com ardor a seguir as veredas da afeição.
Deponho os espinhos há muito entranhados em
meu despetalado coração... és sol a aquecer com
afeto os meus longos dias umbrosos, os meus
caminhos sombrios.
Nada se equipara à tua temperada estação, à
colorida paz que encontro em teu sorriso...
Em amenos versos de saudade a noite prefacio,
aconchego é a tua lembrança em meu travesseiro.
Ponteio de dourado minhas ceráceas asas, voarei
contigo aonde tu quiseres levar-me... por montanhas,
mares, verdes campos, torrão delíaco, pois que será
sempre primavera enquanto eu estiver contigo.
Cacau Loureiro
VER-TE QUE TE QUERO
Tua janela quando se abre é feixe de sol
A adentrar minha alma amante, amásia...
Como não festejar tua profusa docilidade
Que tempera os meus dias no mel dos teus
lábios capitosos?
E eu adormeço em ouro e prata no dossel
que me faz sonhar com os teus dias férteis,
com os teus dias álacres.
Em pele, em ossos, em dentes e lábios
Eu te devoro como esfinge que não sabe
Dar respostas.
Mas, eu quero o sonho em minhas mãos como
sortidas pétalas das rosas que ainda hei
de dar-te como estandarte do amor que
ora tenho em meu peito.
Contigo, por ti, em ti todos os frutos
saborosos desta vida que eu provo em êxtase
de paixão e de afeto.
Daqui de onde te avisto, um mundo maravilhoso,
quadro de belíssimas flores, campos cultivados
em esperançoso verde...
Ver-te que te quero ver-te, sempre!...
Pouso o meu semblante em teu ocaso de
Delícias, oásis onde alimento o meu amor,
Assim sigo a tua estrada pressurosa, onde
Cultivo as sementes de um futuro promissor,
portanto ergo a fronte diante da solar estrela
de todos os amores.
Assim desejo... paisagem ensolarada seja o
teu sorriso em meu caminho!...
Cacau Loureiro
VERTIGEM
Comprime-me o cerne fina dor
que constante e cortante segue em
desafio rumo ao meu ventre.
Em brasa, em desejo, em paixão
sinto-te presente em carne e osso,
em aura e espírito.
Não sei como conter esta força
supra-humana, atrativa que em
mim é fogo, e consome-me; é
ferida aberta, acesa chama...
Quero os teus lábios, o teu sopro,
os teus dons mais próximos, em mim.
Cruel extravagância, ávida inspiração
que como fome atiça-me ao desatino.
E eu viajo em teus sons, em tuas letras
indefesa. Confesso-te que tudo arde em
fogueira insana, que tu feres-me...
Não mais sei onde começa, onde
principia o teu encanto, já não mais
sei que direção estou seguindo, pois
que também não quero adiar toda
esta fúria que do querer que me vai
tomando.
O que me impele ao teu rosto, à tua
pele deixa-me em febre, em viração
e calmaria.
Neste paradoxo em que me encontro
eu me debato... quero o teu ombro, o
teu colo, quero os teus beijos, arrebatar
todos os meus desejos em teu abraço.
Cacau Loureiro
VESPERTINA
Eu pinto em aquarela o teu sorriso.
Tu, arco-íris a enfeitar a vésper que
me guia.
Tuas cores em mim em frescor, em
leveza, em delicadeza, feito tatuagem
de emoção a remontar meus dias.
Eu colho no meu agora ornado céu
a estrela mais brilhante para te dar...
O meu amor!...
O teu astro a cintilar em meu caminho de
pedras é perene facho, é rosa-dos-ventos
a mostrar-me uma nova direção.
Em tuas mãos sempre amenas eu sou fera,
eu anjo sou, singela e humana têmpera em
comoção.
O que de mais caro eu tenho eu já te dei,
as minhas verdades, meus sentimentos,
tudo o que ora sou.
Quero em tua rota ser feixe de luz a luzir
em tua alma rara e radiante, tecer um
arco-celeste por sobre a tua estrada mestra,
mostrar-te que para além de todo desafio
existe um novo horizonte.
Cacau Loureiro
VIAJO-TE
Gravo-te em minhas retinas como as
folhas gravam o vento nas colinas...
Refrescante é tocar tua pele, fitar teus
olhos... Beijar-te a boca em sinfonia de
paz, em misterioso percurso de amor!...
Como não abrir meu peito ao terral
que para além alcança muitos mares?
No meu imenso oceano tu és coral de
muitas cores... curso de muitas estrelas...
luz de mar a mar!...
E eu, quero decodificar as tuas rotas,
tuas vivas letras que reavivam as minhas
quase mortas.
No meu ignorado continente eu busco
o fanal que possa guiar-me aos teus
confins sobre-humanos onde eu possa
reverenciar os teus agrados.
Por entre meus dedos, por entre meus
poros sentir-te, em teu hálito insuflar-me,
em tuas mãos perder-me, eu teu encanto
encontrar-me.
Viajo-te em sinuosidades etéreas na
infinidade de horas/saudade.
Sob a minha pena eu quero viajar-te, entre
as minhas velas, velejar-te... nas minhas
abundantes águas, banhar-te...
Ficar ao sol... Fitar o céu...
E em teu manso horizonte revelar-te!...
Cacau Loureiro
VIRIDANTE
Mergulho fundo em teu aprendiz
universo, com a mesma fascinação
de quem abre um peito pródigo.
Em minha presciência poética eu
já supunha tua tenra e profusa
germinação virente.
Nas multicoloridas flores do teu
encantado jardim, eu ponteio os
meus dias de dourado. Já que
ensolarados são teus olhos em mim!...
Não há recato para viver a vida para
a qual me chamas, pois a ponte que
nos une transcende todos os aspectos
que envolvem coração e corpo.
A minha maravilhada alma, a tua alma
maravilhosa, levam-me ao teu condão
de entusiasmo imaculado, impermisto.
Não há o que apreender quando só o amor
edifica, só ele é capaz de transpor utopias,
preconceitos e todas as vãs filosofias.
Em meu dom clarividente o teu mundo
descerra-se... singelo, amante, corajoso,
Forte!
Cacau Loureiro
YASMAN
A poesia que habita a minha lira é tão
tua quanto bela, e este amor que por ti
nutro, é paixão, afeição, ternura...
As canções, as mais belas rimas que fiz,
foram por esta profusão fecunda que em
mim tu principias.
Em alfa e ômega eu cultivo esta força que
vem de dentro em forma de lava tenaz que
move os meus instintos todos;
Em teu amplexo ditoso és o astro mais
fulgurante deste meu globo, és transformação
de têmpera crua.
Neste alto plano em que te coloco, eu planto
e frutifico em tua várzea tranqüila, pois que
em minha esfera onírica, por ti garbosamente
colorida eu deposito minhas quimeras, eu colho
flores benéficas, eu toco raríssimas pétalas.
Ao teu lado este mundo vil resume-se arco-íris,
jasmim, primavera!
Cacau Loureiro
YIN-YANG
A partir de tua chegada o meu mundo
não tem mais sido o mesmo.
Pois tudo o que advém do teu espírito
neófito arranca-me todas as emoções,
dissipa-me todos os medos.
Acolher-te em meu universo restrito
e fechado é abrir-me ao clarão de um
novo globo colorido.
O teu sorriso que me move, corações
que batem em uníssono, a pulsão
contínua e profícua por estar contigo,
são contrapontos aos meus conceitos
obsoletos e antigos.
Quero conjugar o verbo amar em teu
amplexo virtuoso e libertário.
Minha boca outrora seca... agora tão
afável... Meus pensamentos por ti
possuídos, meus olhos, hoje, mais do
que nunca vívidos.
Tudo em ti me é abrigo!...
Teu ser para o meu ser transmuda-me
água e fogo, serpente e estrela, céu e
mar, yin-yang em teu binário cosmos.
Cacau Loureiro



















































































